Gentili e o assassinato dos adolescentes de Goiás

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Na mesma semana em que Danilo Gentili faz a turnê de divulgação em rádio e TV de seu filme “Como se tornar o pior aluno da Escola”, defendendo que Bullying não é nada demais, que é apenas uma brincadeira divertida, um adolescente cansado de ser alvo de Bullying entra na escola armado e mata dois colegas com tiro na cabeça e fere outros quatro.

Em seu filme Gentili retrata uma escola que tenta combater o Bullying e é surpreendida por um ex-aluno que decide depois de 30 anos ensinar os atuais alunos a praticarem atos de perversidade contra os colegas e o patrimônio da Escola. Até a pedofilia é demonstrada no vídeo quando adolescentes são obrigados a masturbar o diretor do Colégio.

Em muitas entrevistas que concedeu durante a divulgação do filme Gentili vendeu a idéia que o Bullying é só zoação e que é divertido infernizar a vida de um colega. No entanto, na mesma semana em que o humorista divulgava seu filme um estudante de Goiás se cansou de ser alvo do Bullying que sofria no oitavo ano do Ensino Fundamental. Ele pegou a arma de sua mãe que é policial militar e levou para a escola, a idéia era se vingar de quem o apelidava de “fedorento”.

Como acontecia todos os dias, naquele dia aconteceu também. Bastou acabar a aula de Ciências, por volta de 11h, para que o primeiro engraçadinho começasse a zoação. O chamaram novamente de fedorento e  começaram a humilhação mais uma vez. Só que desta vez ele estava decidido que acabaria de uma vez por todas com aquela brincadeira. Daí ele pegou a arma e foi certeiro no disparo. Atirou na cabeça de dois colegas que puxavam a brincadeira e partiu para disparos em quem achava graça da brincadeira. O resultado foi 2 mortes, 4 feridos e uma escola inteira traumatizada.

Bullying não é só uma brincadeira. Ele pode ser causa de dor profunda para quem o sofre. Imagine uma pessoa que já possui depressão e é diariamente puxada mais pra baixo do que a depressão pode levar. Imagine a dor de quem a depressão faz se sentir a pior pessoa do mundo e os colegas reforçando este sentimento nela.

Dizer que todo mundo deveria reagir ao Bullying de maneira bem humorada é se mostrar ignorante e insensível ao tamanho da dor que a depressão pode causar. Nem todo mundo está disposto a ser alvo de piadas e apelidos. Fazer propaganda do Bullying como algo legal e divertido é um ato de irresponsabilidade.

No Brasil 1 em cada 6 pessoas possui depressão. Procure alguém de sua família que sofra desta doença e peça para ela te contar como ela se sente quando está em crise. Perceberá que tudo que esta pessoa mais quer é dormir para sempre e nunca mais acordar neste mundo. Procure hoje mesmo alguém que está passando por esta doença e veja o tamanho da dor. Lembre-se que ao longo da vida você também pode vir a desenvolver a depressão. Quem hoje ri amanhã pode chorar…

Comentários

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2 COMENTÁRIOS

  1. Dois pesos e duas medidas, o filme é uma “comédia” por acaso o filme “todo mundo em Pânico” que fala sobre um assassino em série ou “American Pie” entre tantos outros que falam sobre Bullyng foi criticado? O jornalismo morreu faz tempo na folha, o que se lê é partidarismo político! Atacar o Danilo Gentili vende, então é mais fácil fazer isso do que escrever alguma matéria digna!

  2. A desvalorização dos relacionamentos das pessoas no dia a dia e está divulgação de diferenciação de claves e o descaso com as leis e o código penal, que já está ultrapassado, está levando o ser humano a reagi com iguinorancia às vezes por um simples olhar em sua direção, olhar que talvez nem lhe fosse dirigido e dando início a discussão, briga ou talvez até a morte.
    Em minha vida já com 67, devo ter ganho carinhosamente, por zoação ou até deboche, uma boa quantidade de apelidos que somente me trás recordações muito divertidas me dando momentos de muitas gargalhadas relembrando junto a meus familiares.
    Temos e que voltar a ser humanos sem diferenças e cumpridores das leis.
    (Se a escola fosse um local para alfabetização e aprendizado moral e cívico, qualquer aluno se dirigiria a seu educadores para se queixar das brincadeiras que ele não estava gostando).

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