Datena é acusado de assédio sexual por repórter lésbica

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Datena é acusado de assédio sexual por repórter lésbica. A jornalista Bruna Drews, 35 anos, está acusando o apresentador José Luiz Datena, 61, de assédio sexual. Em representação protocolada no Ministério Público de São Paulo, Bruna afirma que o titular do Brasil Urgente teria lhe dito que ela não precisava emagrecer porque já “era muito gostosa”, que diversas vezes teria se masturbado pensando nela e que achava “um desperdício” a profissional “namorar uma mulher”.

Bruna Drews será repórter do Agora é com Datena

A “cantada” teria acontecido em 7 de junho do ano passado, durante comemoração do fim das gravações do quadro A Fuga, do extinto Agora É com Datena, em um bar na região central de São Paulo. Bruna diz que só decidiu processar Datena agora porque, após o suposto assédio, teve uma grave crise de depressão e pânico. Em licença médica desde julho, Bruna também está movendo ação trabalhista contra a Band, à qual acusa de ter sido conivente com Datena.

No ar, Bruna demonstrava ter uma boa relação com Datena. Não parecia se incomodar com os elogios, que custaram ao âncora, segundo relato do próprio em seu programa, uma breve crise com sua mulher, Matilde –ela teria o obrigado a dormir no sofá.

Na denúncia ao Ministério Público, no entanto, Bruna diz que os comentários de Datena lhe deixavam constrangida. Ela cita dois momentos que considera “absurdos”: quando o apresentador interrompia reportagens para elogiar sua beleza e a ocasião em que pediu para o cinegrasta mostrar ao telespectador todo o seu corpo, como se ela fosse uma panicat, não uma jornalista. Por causa desse tratamento, Bruna passou a ouvir comentários indesejados nas ruas. Diz ter sido chamada de “Lanchinho do Datena” e “Mina do Datena”.

Na representação criminal, Bruna relata que se sentou de frente para Datena na comemoração do fim das gravações de A Fuga. Quando as pessoas que estavam ao lado dela foram embora, Datena teria iniciado as conversas “de cunho sexual”. Segundo Bruna, Datena lhe confessou que naquela noite tinha a intenção de “comer” uma assistente de palco do Agora É com Datena, mas, já que ela tinha ido embora, resolveu conversar com a repórter. Começou dizendo que Bruna tinha emagrecido porque estava enfrentando problemas pessoais e psicológicos. “Datena, emagreci por causa do ritmo de trabalho intenso”, respondeu Bruna. O âncora, então, teria comentado que ela “não deveria ter emagrecido porque” já “era muito gostosa”. “Eu já bati muita punheta pra você, você nem imagina o quanto. Eu batia punheta pra você antes e depois do programa”, teria dito o apresentador, para uma Bruna estupefata, de acordo com o documento base da futura ação criminal.

Datena teria ainda discorrido sobre a opção sexual da jornalista. “Não tenho nenhum preconceito… Minha filha já ficou com mulheres, mas é um desperdício você namorar uma mulher, não deve ter conhecido o homem certo”, teria dito.

Na tarde desta sexta, Bruna deu depoimento ao programa Fofocalizando, do SBT. Ela revelou que não pretende voltar ao jornalismo, traumatizada que está. “Eu me sentia muito constrangida com o assédio que sofria no ar, mas tinha que pagar coisas para os meus pais, tinha que sustentar uma casa. Mas quando aconteceu o assédio no restaurante, senti que deveria procurar a Justiça e denunciar. Mandei uma carta à Band falando sobre o assédio, a Band me mandou ficar em casa um tempo, descansar. Não procurou o Datena ou testemunhas”, falou. “Ouvi frases de funcionários da Band, superiores, que disseram que isso é típico do Datena, ele faz isso com quem ele gosta. Só quero que a verdade seja mostrada, alguém precisa parar esse homem. Espero que eu seja essa pessoa. Já desisti da minha carreira, exatamente por causa dele, da Band, fiquei bem destruída por dentro. Não tenho mais esperança nenhuma de voltar à televisão, por isso estou abrindo o jogo”, concluiu.

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